segunda-feira, 26 de julho de 2010

Metro...polis

O metrô, ah, o metrô. Todos querem um. Já nem é preciso vir o caneco, a taça, mas que venha o metrô. As pessoas, principalmente as dos grandes centros urbano querem ir para o trabalho e chegar em casa mais rapidamente, querem comodidade, praticidade. "Acho uma boa. Na Europa funciona, então acho que aqui vai ser bom, é mais rápido e mais barato, diz a estudante de enfermagem da UFRGS, Mariana Seabra, que "precisaria chegar mais cedo nas aulas, por ter aulas em diferentes campos".
As capitais, que se preparam para receber a copa do mundo de 2014, além dos incentivos previstos pelo governo, estudam maneiras de arrecadar fundos e executar obras de infra-estrutura necessárias para uma cidade receber milhões de turistas. Como dar acesso rápido e prático para os estádios, parte das exigências da Fifa no processo de seleção usado para definição das sedes(Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Manaus e Cuiabá).
Porto Alegre, Curitiba, Natal, Cuiabá, Salvador são alguns dos exemplos onde a instalação do sistema metroviário é uma vitória mais próxima do que nunca. As demais metrópoles, que já contam com o sistema querem ampliá-lo. É o que poderia ser chamado de A Copa do Metrô.
A outra alternativa para concretizar a obra seria uma PPP. Parceria Público-privada. Existem dois interessados em desenvolver a infra-estrutura do metrô. O embaixador japonês no Brasil, Ken Shimanouchi, esteve neste começo de ano visitando a Trensurb e informou que o governo japonês tem interesse na obra. Espanhóis ligados à empresa Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF) também manifestaram a intenção em realizar o empreendimento, segundo matéria publicada em 6 de março de 2009, no Jornal do Comércio.

A população de Porto Alegre demonstra entusiasmo quando o assunto é a linha da copa, o esperado baixo valor, que custará a passagem e a mobilidade do novo e mais rápido sistema de locomoção. Mas será que os valore serão acessíveis para a população. Haverá demanda para a utilização do veículo?
Escola de Engenharia da UFRGS, número 90. Chama a atenção o sitema de segurança numérico e o telefone , na porta de entrada do Laboratório com as legendas dos respectivos pesquisadores. O professor João Fortini Albano, do Laboratório de Sistema de Transportes(Lastran) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atende ao telefone que corresponde ao seu ramal. Atencioso, diz que poderia falar sobre o assunto por telefone mesmo. E Sem se dar conta da situação, e sem convidar para entrar, concede a entrevista do seu telefone para o telefone da portaria, separados por apenas uma ou outra parede. Confirma ter recebido o email que questionava a origem de um depoimento dado no ano passado, para a Zero Hora, em que criticava a instalação do metrô, em Porto Alegre. " Sim, a fala é minha, mas o contexto era outro", diz o especialista. Devido ao advento da Copa, na minha opinião, se justifica a instalação do metrô. Antes era diferente.

Seria um investimento de 3 bi para construir algo que não é prioridade. Mas agora, se o governo vai bancar para nós por causa da Copa, a gente que não vai dizer não." Albano explica que contudo não haverá, em um primeiro momento, demanda para o projeto da linha 2, de Porto Alegre. O traçado previsto sai do Mercado Público, pela avenida Borges de Medeiros, Praça Itália, avenida Praia de Belas, com duas alternativas de prosseguir até a Rótula do Papa, na Azenha (uma pela rua Marcílio Dias e outra pela avenida José de Alencar, que aumentaria a extensão em 1,5 quilômetro), o que segundo o especialista, "não constitui público suficiente para justificar a construção de um metro.

Depois deste primeiro momento da construção do metro, que é de suprir as necessidades de movimentação devido ao grande turismo, por conta da copa, a continuação desta linha deve aí sim ganhar demanda, quando a linha chegar nas imediações da avenidas Azenha, Bento Gonçalves, Antonio de Carvalho, Campus do Vale da Ufrgs e avenida Manoel Elias, onde há maior atividade econômica e universitária. Mas se quiseres saber sobre algum estudo de demanda procura alguém da Metroplan ou da Trensurb, que eles vão te fornecer dados mais específicos".

Mas o assunto da instalação de um metrô, na cidade, ainda é calma. Tanto que pouco pode se saber a respeito dela. Os que deveriam ser os mais envolvidos, como os orgãos responsáveis pelo transporte de Porto Alegre, Trensurb e Metroplan, parecem estar alheios a qualquer informação que diga respeito à obra. Exceto ao fato de que não existe um planejamento de construção, pois "é feito um consórcio de empresas que ganham licitações para gerir a obra. Quem oferecer um planejamento com melhor custo-benefício ganha a licitação". Ao telefone o fiscal de obras da Trensurb, José Francisco F. dos Santos, depois de ligação transferida pelo assessor de Imprensa Antonio Oliveira, se comprometeu em enviar um estudo da demanda sobre o projeto e não o fez.

Opinião semelhante a de Albano tem o engenheiro civil e mestre em Transportes Mauri Panitz. Em entrevista ao Jornal do Comércio, no da 6 de março de 2009, "Panitz destaca que os metrôs normalmente são deficitários economicamente em sua operação e por isso precisam de subsídios do governo. Por ser um veículo de massa, não cabe o valor ficar acima da média do transporte municipal. Por ter a finalidade de transportar a massa, o veículo deveria ter uma tarifa inferior ao patamar de US$ 1. Ambos os especialistas reconhecem a importância e eficácia do metro, principalmente no que diz respeito de engarrafamentos nas ruas . "Panitz argumenta que se houver uma integração inteligente com os outros modais, poderá ocorrer uma mudança da cultura dos porto-alegrenses e diminuir o uso dos automóveis.
Em 2008, em matéria já citada de zero Hora, Albano avaliava que o metro é o uma alternativa a se pensada para daqui dez ou 20 anos e p ropunha soluções mais baratas para a diminuição do trânsito. "A eliminação de sinaleiras, a construção de passarelas e viadutos, o alargamento de ruas e a criação de rodízio de horários entre o expediente de serviços públicos, uma experiência bem-sucedida em cidades como Washington (EUA), para driblar os horários de pico".
"Coloca o seguinte", pede o professor Albano, "diz que eu propus a seguinte indagação: Havendo um metro, o porto-alegrense vai deixar o carro em casa?"

Panitz salienta que o metrô é um meio de transporte rápido e confiável. "Além de não estar sujeito a engarrafamentos e não verificar as emissões atmosféricas ocasionadas pela circulação de ônibus e automóveis", acrescenta Panitz. O ex-diretor técnico da Secretaria estadual dos Transportes supõe que o metrô, no futuro, também poderá atender a cidades vizinhas de Porto Alegre como: Viamão, Cachoeirinha e Alvorada.

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